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“Capote no Kansas”, por João Ventura

31 março, 2010
 Após ler a análise do Marcos sobre “Capote” (Idem, 2006), fiquei tentado em mostrar, para quem ainda não conhece, uma obra tão legal  quanto o filme e que mostra um pouco dos pormenores da luta de Capote para escrever seu mais famoso livro. Trata-se de “Capote no Kansas” (“Capote in Kansas”), uma graphic novel com roteiros de Andy Parks e arte de Chris Samnee. Lançada em 2005, a HQ é uma ótima sacada do autor, que, como diz em seu postfácio, não pretendeu revisitar a já brilhante obra de Capote, mas sim, elucidar um pouco das dificuldades do autor em apurar e redigir a obra.

Ao invés da história, a narrativa se concentra nas dificuldades de Truman, desde sua espalhafatosa roupa, que não é bem vista pelos habitantes de Holcomb, tanto quanto sua personalidade forte e homossexual, que igualmente é vista com assombro pela comunidade em luto. O bacana da história é ver como é que o gelo inicial é quebrado e como é que Truman vai ganhando a confiança da comunidade, que passa a vê-lo como alguém mais próximo.A outra grande sacada da HQ é a relação de Capote com ninguém menos do que o espírito da falecida Nancy Clutter, filha mais velha da família assassinada. É ela quem, no final das contas, coloca Capote nos trilhos, incentivando-o a terminar a investigação. Se esse encontro realmente aconteceu, só podemos especular. Mas, segundo um professor meu, especialista em jornalismo literário, essa é uma coisa que Capote faria. O encontro dos dois também ajuda a elucidar o motivo da realização do grande baile do preto e branco, dado pelo autor ao término do livro. O motivo emociona e, ao menos na HQ, mostra um lado mais humano de uma pessoa considerada fria.A arte de Samnee, em preto e branco, traz um ótimo clima sombrio para a história que, feita a associação, também remete a uma idéia de passado distante. Os recortes das cenas foram muito bem escolhidos, com bastante criatividade nas cenas predominantemente visuais. A edição da Devir está muito bem feita, sem erros de português ou falhas graves.Enfim, vale a pena conferir e saber que este trabalho é uma das muitas formas de se revitalizar a obra de Truman e trazê-la para a mídia que eu considero a mais legal de todas.

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