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“Alice no País das Maravilhas”, por João Ventura

27 abril, 2010

Uma galeria de ótimos personagens. Assim pode ser definido, em poucas palavras, “Alice no País das Maravilhas” (“Alice in Wonderland“, 2010), o novo filme de Tim Burton. O filme, que já arrecadou os tubos nas primeiras semanas de exibição no exterior, chegou ao Brasil na última sexta e, convém dizer, esperar valeu a pena.

O filme funciona, principalmente por um único motivo: a riqueza impressionante de cada um de seus personagens. Desde o gato que desaparece até o Chapeleiro Maluco (interpretado por Johnny Deep), cada um deles tem personalidade própria, muito bem definida e trabalhada pelo diretor. É interessante analisar como cada uma dessas personalidades foi mesclada e encaixada perfeitamente dentro da trama, que, diga-se de passagem, é aquela trama clássica das fábulas infantis: uma heroína que representa o bem, lutando contra o mal e que, no decorrer da história, busca ainda encontrar seu lugar no mundo e se afirmar como pessoa. Esse lugar no mundo e essa afirmação foram muito bem utilizados por Burton para dar andamento à trama, ao invés de apenas servir como a “moral da história”.

Voltando aos personagens, é ótimo ver cada um deles em ação: uma lagarta sábia e pedante, um ratinho corajoso e desconfiado, o chapeleiro bipolar e paranóico e seus amigos doidos de pedra, uma rainha vermelha narcisista e déspota (interpretada pela ótima Helena Bonham Carter) e uma rainha branca (Anne Hathaway), leve, dançante e presa aos seus votos. Burton, aliás, tem a fantástica capacidade de trabalhar os ambientes e mundos em seus filmes, criando a atmosfera certa. Quando tem nas mãos um cenário com grande potencial, como o País das Maravilhas, o resultado é espantoso. Boa nota ainda para o fato de que Alice estar um pouco mais crescida e envolvida com compromissos sociais, como um casamento arranjado e os costumes das famílias tradicionais da época. A relação da Alice crescida com a Alice garotinha que conhecíamos dos livros, também ficou legal.

O ponto baixo do filme fica justamente para a protagonista, interpretada por Mia Wasikowska. Alice está anos luz atrás dos demais personagens nos quesitos carisma e simpatia e, simplesmente não funciona. Quando se vê o filme é bem mais fácil se apegar à luta dos personagens para fugir da tirana rainha vermelha do que a jornada espiritual de Alice. Aliás, bem fraquinha a atriz, cuja expressão não muda na uma hora e quarenta minutos de filme. Outro detalhe negativo é a luta final de Alice contra o Jaguadarte. Ela parece mais uma cena saída desses filmes épicos, como os da franquia “Senhor dos anéis” (“Lord of the rings“), do que de uma fábula infantil. Esperava algo mais psicodélico como charadas ou dilemas morais pra Alice acabar com o monstrengo, não uma espada e uma armadura brilhante. Forçou.

Enfim, um bom filme que merece ser visto se possível, em cinemas que aceitam a tecnologia 3-D, que acredito será uma experiência bem melhor. Aprovado!

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